Por Adrualdo Monte Alto Neto

 

A advocacia, desde os primórdios, sempre foi uma profissão que gozou de um pomposo status na sociedade. Até o fim do século passado, ser advogado era sinal de status social.

Quem nunca ouviu uma avozinha com os cabelos brancos como uma nuvem em dia de sol, falando orgulhosa: “Meu neto se formou advogado!!!”

E essa mentalidade, que, claro, contagiou também os profissionais da área, parece ter invadido este século, desacompanhada, contudo, do prestígio profissional e dos pomposos ganhos de antes.

2.Desânimo

Até meados da década de noventa era difícil, era muito difícil tornar-se advogado, mas era muito fácil ser advogado.

Eram poucas as faculdades pelo país afora, os vestibulares sempre muito concorridos, os preços de mensalidade, bastante elevados, e a prova da OAB, bastante criteriosa. Isso constituía uma forte barreira de entrada na profissão. Pra começar, pobre não podia ser advogado. “Burro” também não.

E com poucos profissionais, uma barreira de ingresso na carreira muito expressiva, e um mercado, com isso, carente de profissionais da área, a simples aprovação no Exame da Ordem significava a garantia de sucesso profissional.

Esse feito tinha que ser sim muito comemorado, pois quem passava na prova estava com o futuro garantido, com o sucesso profissional assegurado (bem semelhante ao conceito que se tem hoje de uma pessoa aprovada num concurso público).

3.Churrasco

Pra se ter uma ideia do que era, vou contar uma breve história. Tenho um tio que se tornou advogado na década de 80.

Muito estudioso, em poucos anos de profissão, ele ia muitíssimo bem, caminhando a passos largos pra ser um jovem rico, quando sofreu um acidente de carro que quase o matou.

Ficou quase 2 meses internado e perdeu parte dos movimentos de uma perna. Nesse meio tempo, claro, como profissional liberal que era, nada faturou. E como já tinha 5 filhos (pra se ter uma ideia de qu%A

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